Se você é do tipo que vive caçando o banco ou a corretora que oferece a maior taxa de rentabilidade em CDBs, LCI ou LCA de olhos fechados “porque o FGC garante”, é bom prestar atenção. Começou a valer nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, a nova regra do Banco Central que aperta o cerco contra instituições financeiras que usam a garantia do fundo como escudo para captar dinheiro de forma agressiva.
Nova regra do Banco Central limita uso do FGC por bancos; entenda o que muda
A medida, desenhada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), veio para frear uma estratégia arriscada do mercado e dar mais solidez ao nosso bolso. A Créditis explica o que muda na prática para o investidor.
O estopim: A crise do Banco Master
Para entender a mudança, precisamos voltar um pouco no tempo. A gota d’água para o Banco Central foi a recente crise envolvendo o Banco Master. A instituição vinha registrando um crescimento explosivo ao oferecer taxas de rendimento muito acima da média do mercado. O principal chamariz deles? Focar na publicidade de que o investidor não corria riscos, já que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) cobriria o valor em caso de quebra.
Para o BC, essa prática desvirtua o papel do FGC, usando o fundo privado como um “salva-vidas” planejado para captar dinheiro fácil, mesmo sem uma saúde financeira que justifique essas taxas.
O que muda na prática a partir de hoje?
Os bancos terão que jogar com regras muito mais rígidas de controle de risco. As duas principais mudanças são:
O “Termômetro” da Saúde Financeira: As instituições agora são obrigadas a seguir um indicador chamado “ativo de referência”. Ele mede a qualidade e a diversidade dos investimentos que o próprio banco possui.
Obrigação de Comprar Títulos Públicos: Se um banco captar muito dinheiro de investidores usando a garantia do FGC, mas tiver pouca aplicação em ativos realmente seguros, ele será obrigado a pegar parte desse dinheiro e comprar títulos públicos federais (Tesouro Direto), que possuem risco de calote quase zero.
Medição de Prejuízos: O Banco Central mudou a fórmula de como calcula a capacidade de um banco absorver perdas, exigindo que eles tenham outros tipos de capital de reserva para cobrir eventuais crises.
Mais transparência a caminho
A segurança vai aumentar ainda mais nos próximos meses. O Banco Central informou que, a partir de novembro de 2026, os bancos associados ao FGC passarão a compartilhar informações muito mais detalhadas sobre os investidores de suas carteiras.
Isso vai permitir mapear em tempo real quem são as pessoas físicas e jurídicas que estão cobertas pelo fundo, dando uma visão real do tamanho do risco que o sistema financeiro está correndo.
Lembrete de ouro: O FGC continua funcionando normalmente para você! A cobertura permanece em até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. A diferença é que, a partir de agora, os bancos de menor porte terão mais dificuldade de usar essa proteção para vender investimentos super arriscados com juros irreais.